Um projeto que está sendo desenvolvido por alunos do 2º ano do curso de Informática do IFBA - Campus Santo Amaro, e tem como objetivo discutir o Romantismo no Brasil.

sábado, 14 de novembro de 2015

O Romantismo no Brasil

Era então, início do século XIX. O Brasil, até então, com uma sociedade que seguia os modelos dos padrões portugueses, passaria por uma série de transformações, principalmente após a chegada da família real em 1808.

Segundo o sociólogo e professor Antonio Candido, "[...] a vinda da Família Real Portuguesa, acompanhada por parte da Corte e do funcionalismo, fugindo à invasão napoleônica [...] fez do Rio de Janeiro a sede da monarquia e acelerou o ritmo do progresso, inclusive intelectual.

[...] a hegemonia cultural saiu dos conventos para ter nas atividades laicas o seu ponto de apoio, também graças à fundação de escolas técnicas e superiores. Ao mesmo tempo, o país adquiriu a possibilidade de comunicar-se com outros centros de cultura além de Portugal, e recebeu deles contribuições, como uma missão artística e a visita de viajantes alemães, ingleses, franceses, russos, muitos deles cientistas de valor, que escreveram boas descrições da sociedade local e contribuíram para nos tornar conhecidos." (CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira. 2. ed. São Paulo: Humanitas, 1998. Fragmento.) 


Portanto, com a vinda da Família Real, houve um vasto intercâmbio cultural no Brasil. Para se ter uma ideia, em 1810 fora instituída a Biblioteca Nacional do Brasil que, na época, contava com um acervo de aproximadamente 60 mil peças, (pertencente a Família Real) - mas, vale ressaltar que só fora aberta ao público em 1814 - e hoje é considerada pela Unesco uma das maiores bibliotecas nacionais do mundo, sendo a maior da América Latina.
Só para se ter uma ideia do tamanho colossal da obra, veja as imagens abaixo:


E, só a nível de curiosidade, atualmente a Biblioteca está desenvolvendo um dos seus maiores e mais importantes projetos: "a digitalização de seu acervo em domínio publico e consequente disponibilização ao público pela internet pela BN Digital (http://bndigital.bn.br/) e Hemeroteca Digital Brasileira (http://hemerotecadigital.bn.br/), onde documentos, músicas e periódicos podem ser acessados online."
Deixaremos alguns links logo mais, nas referências, caso haja maior interesse sobre esse importante monumento.

Apesar de, em 1822 ter sido declarada oficialmente a Independência do Brasil, - em grande parte porque a nação que então se formava, já não se identificava como colônia de Portugal - os intelectuais brasileiros ainda produziam e reproduziam os modelos de pensamentos europeus, ou seja, o Brasil tornou-se independente politicamente, entretanto, o mesmo não fora feito no campo cultural. Portanto, surge a entre os intelectuais e artistas brasileiros, a necessidade de criar um arte e uma nova forma de pensar diferente dos padrões europeus; uma arte que fosse nativa, brasileira.

O dinheiro que circulava devido ao café alimentando a economia brasileira, uma crescente urbanização nas cidades brasileiras, o surgimento da imprensa nacional (a imprensa havia chegado ao Brasil no mesmo período em que à Família Real), além de bibliotecas públicas e cursos universitários (o que possibilitou que os jovens da elite terminassem seus estudos aqui mesmo, no Brasil, ao invés de viajar para se formar em outros países como Portugal ou França). Tudo isso contribui de forma significativa para a independência literária tão desejadas pelos artistas brasileiros - entretanto, vale lembrar que, ainda assim, havia nas obras, uma influencia europeia, apesar de tudo.

Costuma-se dividir o movimento romântico no Brasil em três partes, sendo elas:
  • Primeira Geração - tem como foco a valorização da pátria pelas imagens da natureza e do indígena, que é transformado em herói;
  • Segundo Geração - denominada fase ultrarromântica, onde predominou os temas relacionados entre o amor e a morte, o tédio e a depressão;
  • Terceira Geração - além de tratar do amor, voltou-se para a atuação política mais direta, lutando contra a escravidão e a favor da liberdade.
Por hoje era isso, jovens! Queríamos mostrar como o Romantismo chegou até o Brasil e perceber como a chegada Família Real fora de grande importância para o intercâmbio cultural que nascia em solo brasileiro.
Nos próximos posts iremos aprofundar um pouco mais sobre cada uma dessas três gerações românticas brasileiras e, poderemos perceber como a influencia européia ainda se faz presente em cada uma dessas fases, apesar da "independência literária".

Espere! As referências...
  • ALVES, Roberta Hernandes. MARTIN, Vima Lia. Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2013. v.2: il.

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