Vimos nos nossos posts anteriores que, no Romantismo, o indivíduo romântico não consegue se adaptar a atual sociedade e, por isso, precisa fugir da realidade, voltando ao passado histórico.
"No Romantismo europeu, a volta ao passado histórico leva à Idade Média, onde estão as origens das nações europeias. Mas, como o Brasil não teve Idade Média, voltar ao passado significa redescobrir o país antes da chegada dos europeus, quando era habitado por nações indígenas.".
Ou seja, os escritores buscavam implementar na literatura os diferenciais tipicamente brasileiro. Portanto, descrições sobre as abundantes matas reforçavam a ideia de que "nossos bosques têm mais vida", a figura do indígena passou a ser reconstruída, ou seja, o índio não era mais um mero selvagem, mas passou a ser o herói, símbolo de coragem.
Além disso, um outro tema bastante abordado era o ufanismo, ou seja, a exaltação da pátria, pois para os primeiros românticos brasileiros havia uma necessidade de formar uma identidade brasileira.
Talvez um dos poetas mais expressivos nessa primeira geração romântica no Brasil, fora Gonçalves Dias, pois foi ele o responsável pela construção da figura do indígena como sendo um herói, além da representação da natureza brasileira que era, ao mesmo tempo, exótica e acolhedora.
Podemos perceber isso claramente nos versos do seu poema Canção do exílio, que escreveu quando estava afastado do país. Se ainda não teve a oportunidade de ler tais versos, não se preocupe, o poema segue logo abaixo, na sua íntegra:
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Assim como o poema assim, de modo geral, as obras de Gonçalves Dias destacam a natureza de um maneira particular, pois o eu lírico faz dela a projeção dos seus sentimentos e a transforma, ao mesmo tempo, um dos maiores símbolos da pátria. No poema acima, por exemplo, podemos perceber que o autor, em tamanha saudade de sua terra natal, busca na natureza da mesma, sua inspiração, afirmando não haver lugar melhor para se estar se não no Brasil.
Abaixo, segue um fragmento (mas, caso queria lê-lo na íntegra, clique aqui) do seu poema denominado O canto do guerreiro, onde podemos perceber como a figura heroica do índio era abordada nos versos gonçalvinos:
I
Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
II
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?
Claro que Gonçalves Dias não fora o único a contribuir com o movimento romântico no Brasil, podemos destacar também outros como:
- Casimiro de Abreu (1839 - 1860);
- José de Alencar (1829 - 1877);
- Joaquim Manuel de Macedo (1820 - 1882);
- Manuel Antônio de Almeida (1831 - 1861).
Então, jovens, nesse post queríamos abordar as principais características e quais foram os principais autores da primeira geração romântica que aconteceu no Brasil. Faremos o mesmo para a segunda e terceira geração nos próximos posts.
Se quiserem que abordamos um pouco mais sobre esses autores nos próximos blogs, comente aqui embaixo! ;)
Olha as referências...
- ALVES, Roberta Hernandes. MARTIN, Vima Lia. Língua Portuguesa. Curitiba: Positivo, 2013. v.2: il.
- SOUZA, Elaine Brito. Romantismo - Primeira Geração. Disponível em: <http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/romantismo-primeira-geracao.html>. Acesso em: 05 de novembro de 2015.








0 comentários:
Postar um comentário